MEIA LECA
Do weblog “Sem Pénis, Nem Inveja” ripamos esta frase que sugeriu o título da nossa postagem: “Meia-leca - Expressão intrigante. O que será uma leca inteira? Metro e noventa? Dois? Sendo assim o Marques Mendes não é meia-leca coisíssima nenhuma, mas sim quatro quintos da leca. Ou seja, quase leca inteira. E neste quinto da leca parece residir a questão. A totalidade da leca só nos jovens pujantes à força de Nestum foi atingida. Antes, a leca era mais curta. Sendo que os criados a papa de farinha Maizena, tal como o Marques Mendes, dele se elevavam por escassos centímetros, é injusta a medida feita. Até porque foi provado ser o desempenho indiferente à fracção da leca genital – a parte verdadeiramente excitante é a extremidade. Ora, sendo assim, mais leca, menos leca, não afecta a eficácia dos órgãos, nomeadamente o cerebral. E esse é que conta.”
Meia leca, neste caso, refere-se ao tempo do mandato que os nossos autarcas têm por detrás e pela frente, para cumprir as inúmeras promessas que fizeram para conquistar os votos que os levaram aos respectivos poleiros ou pelouros (mesmo que os pés sejam pretos). Meia leca, meio tempo, meia poda, são termos populares para dizer que estamos no tempo exacto para fazer o balanço do que porventura terá sido feito e do que está por fazer.
Seria fastidioso estar aqui a falar em todas as promessas que nos fizeram e que, na sua grande maioria, não passarão disso mesmo. Vamos apenas lembrar algumas:
EDUCAÇÃO: “A construção, em médio prazo, de núcleos escolares, de média dimensão, para a instalação de Educação Pré Escolar e 1º Ciclo com cantina/refeitório, rede de transportes, pavilhões desportivos, campos de jogos, salas específicas de educação musical, expressão plástica, informática, serviços administrativos, equipamentos audiovisuais, biblioteca, mediateca e restantes materiais e equipamentos necessários a uma boa prática pedagógica, permitindo assim, também, uma resposta social à família.”
ACÇÃO SOCIAL: “Pela continuidade do Projecto Saltar Barreiras”
CULTURA: “Criar condições para a implementação do Fórum Municipal da Cultura, através da requalificação da Escola João Grave, do Palácio dos Viscondes de Valdemouro e da Casa Gandareza, para uso multidisciplinar: biblioteca, mediateca, ludoteca, Salão Nobre do Município, auditórios, espaço museológico, espaço para exposições permanentes e temporárias, espaço Freguesias, espaço Associações, espaço Ria (bar, cafetaria, restaurante), arquivo municipal e serviços da cultura (ateliers, gabinete de animação sociocultural e gabinete do património histórico-arquitectónico e artístico)
DESPORTO: “ Conclusão do Estádio Municipal. Conclusão da Piscina Municipal. Criação de uma área verde de lazer com pista de manutenção e treinos. Criação de campo de ténis em terra batida. Construção, reparação, recuperação dos espaços desportivos, das áreas envolventes e de lazer. Criação de áreas para velocípedes e peões. Criação da semana desportiva municipal”.
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO: “Para além das obras é necessário apostar nas pessoas, é necessário apostar no concelho, é necessário promover Vagos, é necessário e urgente criar riqueza. Vamos criar riqueza captando investimento, criando emprego, fomentando a formação profissional, contribuir decisivamente para a melhoria de vida dos munícipes de Vagos.”
INDÚSTRIA: “Criação da Zona Industrial de Sosa.”
TURISMO: “Criação de planos de água, de modo a possibilitar a utilização de barcos de recreio, criação de pontos de pesca desportiva, entre outras actividades desportivas e de lazer. Criação de infra-estruturas de acesso e circulação ao longo do rio. Criação de percursos para passeios a pé, a cavalo e bicicleta. Criar o “Parque Ria” através da restruturação (é assim que está escrito) e reaproveitamento do jardim (onde é que ele está?) sito nas traseiras do Palácio dos Viscondes de Valdemouro.”
SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS: “Instalação da Loja online do Munícipe. Construção do Centro de Atendimento ao Munícipe. Certificação dos Serviços (aqui pretendiam criar uma loja virtual em todas as freguesias através da internet)”.
SERVIÇOS OPERATIVOS: “Procederemos à construção de novas instalações para os armazéns gerais”.
SANEAMENTO BÁSICO: “Quanto à recolha de resíduos sólidos pretendemos criar um Centro de separação e selecção de lixo”.
SAÚDE: “O nosso grande objectivo foi alcançado com a construção do novo Centro de Saúde, que estará concluído no final do ano (2005), e com a instalação do Serviço de Atendimento Prolongado (como diria Fernando Mendes: já foste). Pretendemos, agora, a sua entrada em funcionamento durante o próximo ano (2006) com reforço dos recursos humanos e das especialidades médicas”.
SEGURANÇA E PROTECÇÃO CIVIL: “Solicitaremos ao Ministério da Administração Interna o financiamento para os edifícios dos BVV e GNR e, neste caso, também o reforço dos seus efectivos”. Dizem as más-línguas que o quartel dos Bombeiros ia ser um hotel e que o dono do hotel faria um quartel novo para os nossos bombeiros. As mesmas más-línguas também dizem que esteve cá um secretário de estado a confirmar a adaptação da central da camionagem para quartel da GNR.
JUSTIÇA: “Atendendo à degradação das infra-estruturas da Justiça existentes no concelho, propomos a recuperação do Palácio da Justiça, por contrapartida da cedência à Câmara Municipal da Casa dos Magistrados. Solicitaremos, porquanto já se justifica, a criação dum segundo Juízo no Tribunal Judicial de Vagos”.
De tudo o que nos prometeram podemos concluir que a GNR está no mesmo sítio, os Bombeiros também, o Palácio da Justiça está exactamente na mesma, o Centro de Saúde está por abrir, o Centro de Separação e Selecção de Lixo não sabemos onde é, os novos Armazéns Gerais também não, a Loja online do Munícipe só dá formulários, a Loja virtual nas Freguesias é mesmo virtual, a criação de percursos pedonais não vêm a cavalo nem de bicicleta certamente, caso contrário já teriam chegado, ao Parque Ria falta o “e” para reestruturar o jardim que não existe, a Piscina continua por acabar, o Estádio falta pouco – para acabarem com ele e, onde será que funciona Fórum Municipal da Cultura?
Como prometemos, de vez em quando aqui estaremos a lembrar aos autarcas que é tempo de pagarem as suas promessas. Já só faltam dois anos para o termo dos mandatos e se o povo não for cego, surdo e mudo, vai cobrar essas promessas.



