Domingo, 21 de Outubro de 2007

MEIA LECA

Do weblog “Sem Pénis, Nem Inveja” ripamos esta frase que sugeriu o título da nossa postagem: “Meia-leca - Expressão intrigante. O que será uma leca inteira? Metro e noventa? Dois? Sendo assim o Marques Mendes não é meia-leca coisíssima nenhuma, mas sim quatro quintos da leca. Ou seja, quase leca inteira. E neste quinto da leca parece residir a questão. A totalidade da leca só nos jovens pujantes à força de Nestum foi atingida. Antes, a leca era mais curta. Sendo que os criados a papa de farinha Maizena, tal como o Marques Mendes, dele se elevavam por escassos centímetros, é injusta a medida feita. Até porque foi provado ser o desempenho indiferente à fracção da leca genital – a parte verdadeiramente excitante é a extremidade. Ora, sendo assim, mais leca, menos leca, não afecta a eficácia dos órgãos, nomeadamente o cerebral. E esse é que conta.”

Meia leca, neste caso, refere-se ao tempo do mandato que os nossos autarcas têm por detrás e pela frente, para cumprir as inúmeras promessas que fizeram para conquistar os votos que os levaram aos respectivos poleiros ou pelouros (mesmo que os pés sejam pretos). Meia leca, meio tempo, meia poda, são termos populares para dizer que estamos no tempo exacto para fazer o balanço do que porventura terá sido feito e do que está por fazer.

Seria fastidioso estar aqui a falar em todas as promessas que nos fizeram e que, na sua grande maioria, não passarão disso mesmo. Vamos apenas lembrar algumas:

EDUCAÇÃO: “A construção, em médio prazo, de núcleos escolares, de média dimensão, para a instalação de Educação Pré Escolar e 1º Ciclo com cantina/refeitório, rede de transportes, pavilhões desportivos, campos de jogos, salas específicas de educação musical, expressão plástica, informática, serviços administrativos, equipamentos audiovisuais, biblioteca, mediateca e restantes materiais e equipamentos necessários a uma boa prática pedagógica, permitindo assim, também, uma resposta social à família.”

ACÇÃO SOCIAL: “Pela continuidade do Projecto Saltar Barreiras”

CULTURA: “Criar condições para a implementação do Fórum Municipal da Cultura, através da requalificação da Escola João Grave, do Palácio dos Viscondes de Valdemouro e da Casa Gandareza, para uso multidisciplinar: biblioteca, mediateca, ludoteca, Salão Nobre do Município, auditórios, espaço museológico, espaço para exposições permanentes e temporárias, espaço Freguesias, espaço Associações, espaço Ria (bar, cafetaria, restaurante), arquivo municipal e serviços da cultura (ateliers, gabinete de animação sociocultural e gabinete do património histórico-arquitectónico e artístico)

DESPORTO: “ Conclusão do Estádio Municipal. Conclusão da Piscina Municipal. Criação de uma área verde de lazer com pista de manutenção e treinos. Criação de campo de ténis em terra batida. Construção, reparação, recuperação dos espaços desportivos, das áreas envolventes e de lazer. Criação de áreas para velocípedes e peões. Criação da semana desportiva municipal”.

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO: “Para além das obras é necessário apostar nas pessoas, é necessário apostar no concelho, é necessário promover Vagos, é necessário e urgente criar riqueza. Vamos criar riqueza captando investimento, criando emprego, fomentando a formação profissional, contribuir decisivamente para a melhoria de vida dos munícipes de Vagos.”

INDÚSTRIA: “Criação da Zona Industrial de Sosa.”

TURISMO: “Criação de planos de água, de modo a possibilitar a utilização de barcos de recreio, criação de pontos de pesca desportiva, entre outras actividades desportivas e de lazer. Criação de infra-estruturas de acesso e circulação ao longo do rio. Criação de percursos para passeios a pé, a cavalo e bicicleta. Criar o “Parque Ria” através da restruturação (é assim que está escrito) e reaproveitamento do jardim (onde é que ele está?) sito nas traseiras do Palácio dos Viscondes de Valdemouro.”

SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS: “Instalação da Loja online do Munícipe. Construção do Centro de Atendimento ao Munícipe. Certificação dos Serviços (aqui pretendiam criar uma loja virtual em todas as freguesias através da internet)”.

SERVIÇOS OPERATIVOS: “Procederemos à construção de novas instalações para os armazéns gerais”.

SANEAMENTO BÁSICO: “Quanto à recolha de resíduos sólidos pretendemos criar um Centro de separação e selecção de lixo”.

SAÚDE: “O nosso grande objectivo foi alcançado com a construção do novo Centro de Saúde, que estará concluído no final do ano (2005), e com a instalação do Serviço de Atendimento Prolongado (como diria Fernando Mendes: já foste). Pretendemos, agora, a sua entrada em funcionamento durante o próximo ano (2006) com reforço dos recursos humanos e das especialidades médicas”.

SEGURANÇA E PROTECÇÃO CIVIL: “Solicitaremos ao Ministério da Administração Interna o financiamento para os edifícios dos BVV e GNR e, neste caso, também o reforço dos seus efectivos”. Dizem as más-línguas que o quartel dos Bombeiros ia ser um hotel e que o dono do hotel faria um quartel novo para os nossos bombeiros. As mesmas más-línguas também dizem que esteve cá um secretário de estado a confirmar a adaptação da central da camionagem para quartel da GNR.

JUSTIÇA: “Atendendo à degradação das infra-estruturas da Justiça existentes no concelho, propomos a recuperação do Palácio da Justiça, por contrapartida da cedência à Câmara Municipal da Casa dos Magistrados. Solicitaremos, porquanto já se justifica, a criação dum segundo Juízo no Tribunal Judicial de Vagos”.

De tudo o que nos prometeram podemos concluir que a GNR está no mesmo sítio, os Bombeiros também, o Palácio da Justiça está exactamente na mesma, o Centro de Saúde está por abrir, o Centro de Separação e Selecção de Lixo não sabemos onde é, os novos Armazéns Gerais também não, a Loja online do Munícipe só dá formulários, a Loja virtual nas Freguesias é mesmo virtual, a criação de percursos pedonais não vêm a cavalo nem de bicicleta certamente, caso contrário já teriam chegado, ao Parque Ria falta o “e” para reestruturar o jardim que não existe, a Piscina continua por acabar, o Estádio falta pouco – para acabarem com ele e, onde será que funciona Fórum Municipal da Cultura?

Como prometemos, de vez em quando aqui estaremos a lembrar aos autarcas que é tempo de pagarem as suas promessas. Já só faltam dois anos para o termo dos mandatos e se o povo não for cego, surdo e mudo, vai cobrar essas promessas.

Sábado, 18 de Agosto de 2007

MUITA SAÚDE, CAMARADA !


Como prometemos e vamos cumprir, aqui estamos para dizer que estamos vivos e que este e outros projectos que se encontram em banho-maria continuarão com o canal sempre aberto para novas intervenções e, para que tecnicamente não sejam encerrados.

Ao longo dos quase dois anos de actividade diária, denunciamos inúmeros problemas da sociedade vaguense, fizemos críticas aos serviços e aos lugares, nunca às pessoas que os desempenham.

Quando dizemos que o Padre (seja ele qual for) faz isto ou aquilo de errado, não estamos a atingir a pessoa mas o lugar que ela ocupa. Porque se o Padre se comporta de forma autoritária, tem métodos ultrapassados, não respeita os direitos dos outros, só vê dinheiro na frente dele, a culpa não é da pessoa que veste a batina ou usa o tricórnio, a culpa é e será sempre da Igreja e a Igreja somos todos nós os que dela participam, mais ou menos assiduamente, mais ou menos empenhadamente.

Da mesma forma quando dizemos que os serviços públicos não funcionam, que a Câmara, os Tribunais, as Conservatórias ou as Finanças não servem os utentes como deveriam, não é as pessoas que as dirigem que queremos atingir, mas sim os utentes que não exigem mais e melhores serviços.

Se um Presidente de Assembleia ou de Câmara não é capaz de desempenhar cabalmente o seu lugar, a culpa em primeiro lugar é de quem os elegeu, até porque alguns deles até são empurrados para os lugares porque se trata de pessoas conhecidas ou influentes na sua terra. Depois, o eleitor tem sempre a possibilidade de substituir, em próximas eleições, aqueles que não considera capazes de um bom desempenho público. Quando reelegemos um político é porque gostamos do seu desempenho anterior.

Nos serviços públicos onde os cargos não são de eleição, temos sempre a possibilidade de contestar o seu mau desempenho, nem que seja enviando e-mails para os seus superiores hierárquicos para que corrijam os maus procedimentos ou para que lhes seja dada formação adequada ao desempenho. Já o fizemos várias vezes, tal como muitos milhares de portugueses e todos juntos, por exemplo, conseguimos alertar para a vergonhosa situação que se passava e ainda passa nas famosas juntas médicas.

Escrevemos aqui várias vezes o que se passava nas juntas médicas da SS - Segurança Social, mais tarde começaram a ser notícia as vergonhosas juntas da CNA - Caixa Nacional de Aposentações e das FS - Forças de Segurança. Numa primeira reacção, o Governo resolve tomar a iniciativa de alterar as regras das juntas da CNA, deixando de fora as outras. Milhares de cartas e e-mails depois, enviadas pelos cibernautas e não só, onde nos incluímos, o Governo decide então alterar as regras de todas as juntas médicas.

Aqui está um caso em que se prova que a culpa não era das Juntas Médicas mas dos utentes que a elas se submetiam e não reclamavam. Dissemos aqui, há mais de um ano, que havia casos de pessoas na Segurança Social a quem tinha sido suspensa a baixa, apesar de estarem com cancro em fase terminal, tão terminal que já estão sepultadas. Quando a malta resolve unir-se e bater o pé, as coisas mudam.

Um nosso assíduo leitor, um dos dois que nos liam apenas e tão só para nos criticar e muitas vezes ofender, pessoa de mau feitio que sempre causou conflitos com as suas intrigas na Instituição a que se encontra ligado, que apesar de ser nosso amigo de infância e connosco ter andado na escola primária, nunca levantava a cara para nos dar os bons dias (nem a nós nem a ninguém), está agora a debater-se com um grave problema de saúde.

Apenas lhe queremos dizer, com a maior sinceridade, que lhe desejamos uma rápida recuperação e que volte rapidamente para junto dos seus com muita saúde e energia para continuar a dar-nos luta nestas coisas do ciberespaço. Ele sabe que não nos ofende quem quer. Agora necessita de muita força para ultrapassar o problema que o atormenta. Boa sorte.

Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

DIA DOS AVÓS


Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

ATÉ SEMPRE !


Já estávamos prevenidos quanto a esta eventualidade, mas a notícia chegou agora, fresquinha. Após quatro semestres a debitar postagens diárias para o Vagos2005, após mais de 700 postagens, depois da publicação de outras tantas fotografias, de termos recebido a visita diária de mais de 50 amigos, o que totaliza a bonita soma de mais de 35 mil e 500 visitantes, este blog chegou ao fim.

Cumprimos os objectivos a que nos propusemos, denunciamos o que estava mal segundo a perspectiva daqueles que connosco colaboraram e a nossa própria opinião, elogiamos o que estava bem e aqueles que trabalham realmente em prol da sua terra, apoiamos iniciativas de associações e de populares, criticamos o desempenho de alguns autarcas, dos clérigos, de alguns funcionários públicos e privados.

Nunca criticamos as pessoas mas sim o seu desempenho nos lugares que ocupam. Quando falamos da falta de qualificações e de maus comportamentos de funcionários públicos, não nos referíamos a Vagos em especial, mas à generalidade das autarquias de todo o País. Já o dissemos mas voltamos a repetir, conhecemos muito bem o funcionamento de Câmaras e Juntas de Freguesia de Lisboa até ao Minho e Trás-os-Montes.

Vai ser uma alegria e uma tristeza simultâneas, quando os nossos habituais e fiéis amigos visitantes, na Câmara, serviços públicos, Banca e empresas privadas, nomeadamente as da Zona Industrial de Vagos, souberem do fim deste blog. Ficam alegres aqueles que se sentiam atingidos pelas falhas apontadas aos seus serviços, ficam tristes aqueles que tinham neste espaço uma voz para manifestar a sua indignação.

Mesmo os que discordavam de nós, tinham o saudável hábito de nos visitar todos os dias, logo pela manhãzinha e nós próprios, vimos com estes olhos que a terra não há-de comer, os funcionários a ligar avidamente o computador para ver o que saía naquele dia, no Vagos2005. Diziam mal, mas não deixavam de ver.

Vamos pregar o nosso sermão para outra BANDA mais LARGA, onde as coisas fervilham com muita intensidade, coisa que em Vagos não acontece. A história e as peripécias de Vagos contam-se numa semana e depois é a rotina, estamos a falar sempre das mesmíssimas coisas.

O Padre que autoriza a compra de um órgão que custou mais de 40 mil contos e não serve para nada, que não paga subsídios de férias e Natal nem faz descontos ao funcionário que está na loja do Santuário de Nossa Senhora de Vagos, o novo Centro de Saúde que não abre, o Estádio que está parado há anos, as pistas de manutenção da Quinta do Ega que não se fazem, o site da Câmara mais eficiente e dinâmico, a Loja do Munícipe, a reparação das estradas, etc. Estar sempre a falar das mesmas coisas durante dois anos, cansa.

Mas nós não estamos cansados, vamos é para outros lugares aqui ao redor, fazer as mesmas coisas e manter as que já temos em curso. Vamos desenvolver projectos novos nas cidades da Gafanha da Nazaré e Ílhavo, em Oliveira do Bairro e Mira e manter o que já temos em Aveiro.

Queremos agradecer toda a colaboração prestada pelos sites Vagueira.com e VagosOnline.org, que nos disponibilizaram sempre e gratuitamente todo o material fotográfico e sonoro que lhes solicitamos. Agradecemos a todos os blogs amigos, especialmente ao Alfinete de Peito, Maria Lascas e Bancada Directa pelo apoio dado ao longo destes dois anos.

Agradecemos, por fim, a todos os visitantes em geral, com particular relevância para os nossos fiéis amigos de França, Luxemburgo, Brasil, Canadá, Venezuela e Bélgica, que nunca se esqueceram de nós e contribuíram algumas vezes com textos e denúncias que aqui publicamos.

Esta despedida pode não ser definitiva porque nos manteremos atentos e “em canal aberto” para reabrir o blog caso aconteça algo que o justifique, ou no ano super eleitoral de 2009, onde muita coisa irá certamente acontecer e onde poderemos vir a este mesmo lugar fazer o balanço entre as promessas eleitorais do PSD e aquilo que foi efectivamente concretizado. Até lá, este mesmo trabalho é das oposições, se é que elas existem.

Sem dinheiro pouco se pode fazer mas, mesmo assim, desejamos a Carlos Neves, Albina Rocha, Fernando Capela e Marco Domingues (são os que conhecemos pelo seu excelente trabalho, mesmo sem grandes recursos) que continuem a lutar contra o sistema instalado, desejamos que os nossos queridos Bombeiros ultrapassem de vez a crise directiva que os afecta e boa sorte para todas as colectividades e IPSS do concelho de Vagos.

Muito obrigado a todos. A equipa do Vagos2005 Juan, Anita, Max e Kim.